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O vagão

  • Foto do escritor: B.Bravo
    B.Bravo
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Aqui sempre foi o entre, entremeio, entrelugar. Daqui nunca se foi nem se chegou, nem partida nem destino: passagem. O trem mesmo sempre só atravessava, vinhai-ía da uma estação para outra; mas aqui devera era só o meio, paisagem… E dos comboios só esse vagão mesmo permaneceve, alheio. Nunca se estivesse sempre estagnado assim nos trilhos. 


Antes houve viajante, depois só carga. Até que desacionaram. Ficou a estrada de ferro e esse vagão. Quando criança se brincávamos por ali. De dentro eu via outro lugar aqui fora, em quadro. Era diferente de observar a casa nossa da janela lateral do vagão azul. Até moçote ainda ia li, alguma moça namorosa conheci por lá também. Mas o tempo ruiu e nunca se buscou ou requereu esse carro. Ali se fez eternar.


Mas o mistério. Eu mesmo ouvi sem ver, mas se diz que há o dia em que ele vai e volta… sem locomotiva, mas autolocomovente, o que acontece noite adentro estrada afora. 


Se creve em espiritualística ou fantasmagoria, mas eu suspeito. Tudo tem explicitude técnica no meu acreditamento. Mas esse ainda não conjecturei.


Se ocorre assim: uma vez por ano, numa data uma, ora sem hora, a roda roda. Sem locomotivação ou motoreio, simples vai. O barulho range do enferrugir; eu já tive ouvivez. E some três noites e três dias, até tornar. Mas a cada torneamento, se incorpora novidade local. 


Foi assim que chegaram os quatro geminirmãos, foi assim que descobrimos televisão. E foi nesse mesmo vagão que se sumiu o Cecílio. Sabendo a logística do dia e da hora, fez mala e partiu, não se sabe para onde, pois que nem ele soubesse.


Ainda planeio de me entrar no trem uma dessas noites, afinal sendo que este ano ainda não ocorreve a viagem. Falta porém o encorajar, eu sendo frouxo tremente. Mas hei que ainda vou para o descobrir.


 
 
 

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