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O Boi Benevides

  • Foto do escritor: B.Bravo
    B.Bravo
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia


Desde que estranha criatura - o quati - passou a avizinhar conosco as madrugadas, a atitude das bicharadas do lugar se estranhou.


Assim foi com a gata da Solange, assim sucedeve que o Caetano, que morreu, assim ocorria com o Benevides, que era o boi de estima do Zaqueu.


O Zaqueu tinha lá as três vaquinhas e o Boi Benevides. Até que nessa época de alvoroço animalesco ele silenciou.


Eu bem ouvia o mugir dele todo dia com o apontamento do Sol. Benevides avisava a hora. Mas um dia, em escape da roça, foi atropelado pelo trem. O trem nunca mais passou por aqui, e o Benevides se recolheu. Nunca se explicitou justificação, simples silenciou e não se berrou mais o Benevides. Senti a falta, tempos alguns, pois que me despertava. Entretantos, esse boi não mugia dali adiante.

 

Porém olhava. E foi nisso que se afiou, os comuns. De tanto silenciar, a comunidade atentou para os sentidos. Porque o olhar do Benevides significava e antevia, foi a crença. Eu nunca soube como, mas havia quem interpretava. E se passou a consultar o futuro e o secreto pelo observar daquele boi, formando fila na porta do Zaqueu.

 

Era moça casadoira que perguntava por pretendimento alheio, marido que indagava por desinteresse, desaventes que consultavam conduta. Conforme olhava Benevides se respostava, oráculo do futuro e do pretérito. Eu também quis consultar, a fim de cogitamento das minhas umas questões, pois que sempre conjecturei filosofias metafísicas. Benevides olhou pro céu e seguiu silente, o que pra mim jamais significou sentido. Mas intrigou que ele me compreendesse, mirando alto.

 

 

Até que a Raquel, mulher do Zaqueu, intrigou: ou sai o boi ou eu. O motivo se cogitam dois: ou foi resposta do boi a indagação dela, que indignou, ou receio de encantamento sobrenatural. 

 

Então se entregou o boi aos quatro Antônios, que deixam pastar no quintal a fim de capina. Nunca mais se ouviu mugido algum vindo dele, porém há quem jure que, mesmo em noite sem lua, seu olho lampeja no escuro. E encara.


 
 
 

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